Fundador do Venom, músico inglês ajudou a definir o black metal e influenciou gerações com uma sonoridade que mudou os rumos do metal extremo.
Nascido em Londres, em 15 de janeiro de 1963, Lant ingressou no grupo que daria origem ao Venom no final da década de 1970. Ao lado de Mantas e Abaddon, consolidou uma formação que mudaria os rumos do gênero. A sonoridade do Venom nunca dependeu de agradar "ouvidos sensíveis". A força do grupo estava na crueza da guitarra, no baixo pesado e em uma interpretação vocal que parecia desafiar tudo o que o heavy metal havia estabelecido até então.
Em seus primeiros discos, o trio inglês encontrou uma maneira própria de unir velocidade, agressividade e referências "ao maligno", influenciando, assim, músicos que, anos depois, levariam o metal a territórios ainda mais extremos.
A importância dessa formação ficou registrada em "Welcome to Hell" (1981), disco que apresentou ao público uma versão particularmente descomunal do metal, e, sobretudo, em "Black Metal" (1982) — ambos favoritos deste que vos escreve. O segundo álbum não apenas se tornou uma referência musical, como também emprestou seu nome a um gênero que ganharia contornos próprios na década seguinte. A influência do Venom alcançaria desde o thrash do Metallica e do Slayer até a cena escandinava, com bandas como Mayhem, Darkthrone e Emperor.
O Venom ocupa, assim, um lugar que poucos artistas podem reivindicar: o de ter participado diretamente da origem de uma vertente musical.
Havia, entretanto, mais do que provocação na trajetória de Cronos. Sua contribuição também passava pela concepção visual do grupo, incluindo versões de seu logotipo e a utilização do Baphomet, elementos que ajudaram a estabelecer uma iconografia reconhecível muito além dos discos. No palco, sua presença correspondia à música: uma combinação de teatralidade, irreverência e confronto que se tornou parte indissociável da identidade do Venom.
Sua saída, em 1988, abriu espaço para uma experiência própria. Com a banda Cronos, lançou "Dancing in the Fire" (1990) e "Rock 'n' Roll Disease" (1991), trabalhos que exploravam caminhos mais próximos do heavy metal tradicional. O retorno ao Venom, em 1995, resultou em "Cast in Stone" (1997), marcando o reencontro com Mantas e Abaddon. As divergências entre os integrantes voltariam a separar a formação clássica, mas Cronos permaneceu à frente do grupo, conduzindo-o por diferentes fases e mudanças.
Sua trajetória, contudo, não ficou restrita à consagração dos anos 1980. Mesmo depois de mais de quatro décadas de carreira, continuou gravando e se apresentando. "Metal Black (2006), "Hell" (2008) e "From the Very Depths" (2015) estão entre os registros dessa continuidade. Em maio de 2026, o Venom lançou "Into Oblivion", seu 16º álbum de estúdio, com Cronos ao lado do guitarrista Rage e do baterista Danté. O disco, agora seu último trabalho de estúdio, ganha um significado particular diante da notícia de sua morte.
A confirmação do falecimento foi publicada nos canais oficiais do Venom nesta quinta-feira, 1º de outubro. A causa da morte não foi divulgada. Em uma mensagem de despedida, seu filho, Nathan, agradeceu aos fãs pelo apoio dedicado ao músico ao longo dos anos e ressaltou que sua obra permanecerá viva.
É difícil separar Cronos da história que ajudou a escrever. Sua música nem sempre primava pela sofisticação técnica, tampouco precisava dela. O que havia de singular no Venom era justamente a disposição de fazer do excesso uma linguagem, levando o peso, a velocidade e a agressividade a territórios que o metal ainda não havia explorado. O que inicialmente soava rudimentar tornou-se referência para músicos que encontrariam naquela sonoridade a liberdade para desenvolver suas próprias obras sonoras malignas de arte.









